sufoco as palavras que arranham a garganta em atropelo numa revolta escondida em que engulo cada olhar magoado com lágrimas aquecidas pelo sol que me ilumina nas noites de (não) ser tua.
parto sem ti, levo a (pouca) coragem e o chão que piso, a cada passo afasto a tristeza desapaixonada de permanecer, dorida e inocuamente à espera do que não chegará a tempo de me salvar da solidão ou de mim mesma.
guardo no peito a saudade e as cores do arco-íris, que quero acreditar: será amanhã.
são quentes as lágrimas que percorrem o rosto sulcando trilhos no colo despido onde o peito ofegante acolhe o toque dos dedos macios que o percorrem, sedentos e livres, quais gaivotas perdidas no aconchego do (a)mar
gravo na mente o recorte dos lábios doces que beijam sem cessar pintando-me o olhar com cores de espanto e de amanhecer: ouro, laranja e mel - paixão acesa no meu corpo
expliquem-me, que os amigos são estrelaslivres; livres para iluminar (ou não iluminar) o nosso céu; livres para mudar de galáxia se assim o desejarem; livres para se afastarem (mesmo que em caminhadas sem retorno...); livres; livres; livres... porque sem liberdade o afecto não é possível!
digam-me, que os apegos são tentáculos venenosos que nos impedem de crescer, e, que as lágrimas (em lua cheia de tristeza) são mero desperdício da energia absolutamente necessária para v i v e r
o vento vestia-lhe o corpo, o sorriso pintava-lhe o rosto, o luar reflectia-se no verde líquido dos olhos... procurava um arremesso de paixão, uma réstia de sol, ou, um rastilho de (a)mar onde se pudesse perder... e, nessa procura incessante sonhava um coração igual ao seu, apaixonado, intenso, completo, dominado pelo mesmo luxuriante desejo do frenesim dos corpos, a mesma ânsia de beijos, a mesma vontade de toques e arrepios... teimava em não desistir, insistia em não aceitar compromissos. idealizava e perseguia o seu sonho, calada e quieta, sem mover um dedo ou uma pálpebra... desejando não acordar!