registos, leituras, ecos, palavras, imagens, gestos, passos de dança e ensaios de voo...
aromas e sabores que (a)guardo carinhosamente





terça-feira, 28 de dezembro de 2010

"happy birthday baby Jesus" I


luzes, neve e muito frio
aroma de bagas e de canela
na vela acesa,
no coração
a árvore de amigos,
camisola de lã,
aconchego no peito,
cidra quente,
vento forte
e um sorriso.

o amor que é
corrente,
serpenteia e segue,
(e o pinhal aguarda
no presépio que espreita)
Natal na alma
pérolas tintas no peito
céu verde de azevinho
e o Tagus no olhar que sonho
- amor fora do tempo
paixão a r r e b a t a d o r a

eu aqui...!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

s a u d a d e

são quentes as lágrimas que percorrem o rosto sulcando trilhos no colo despido onde o peito ofegante acolhe o toque dos dedos macios que o percorrem, sedentos e livres, quais gaivotas perdidas no aconchego do (a)mar

gravo na mente o recorte dos lábios doces que beijam sem cessar pintando-me o olhar com cores de espanto e de amanhecer: ouro, laranja e mel - paixão acesa no meu corpo

amar
verde vertical,
horizonte
transposto
sentir
transcendente
t r a n s p a r e n t e

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

dias dourados




sinto-te,
em cada passo branco
que deixo no caminho,
entre flocos leves
e sonhos adiados...
em cornucópias de sentires

provo-te,
em cada raio
do sol que me beija,
soltando a imaginação febril
que atravessa ocenos
para se transformar
em cores e odores
de (a)mar sem fim

sonho-te
em dias dourados
de céu sem nuvens
branco-neve-azul-marinho

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

splash


entre escolhos
e marés vivas...
a cumplicidade no olhar
iluminado
pela luz dos olhos
teus

- assim, os versos e as palavras
que brotam sem pensar;
água pura no deserto dos dias atribulados,
salpicos de (a)mar rebelde...


mão aberta,
colo morno,
ilha perdida,
labirinto
(con)sentido




e tu, sempre tu, a povoar os meus sonhos...

terça-feira, 13 de julho de 2010

... fragilidades...

expliquem-me, que os amigos são estrelas livres; livres para iluminar (ou não iluminar) o nosso céu; livres para mudar de galáxia se assim o desejarem; livres para se afastarem (mesmo que em caminhadas sem retorno...); livres; livres; livres... porque sem liberdade o afecto não é possível!

digam-me, que os apegos são tentáculos venenosos que nos impedem de crescer, e, que as lágrimas (em lua cheia de tristeza) são mero desperdício da energia absolutamente necessária para v i v e r










digam-mo, mas, digam-mo de mansinho...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

...

o vento vestia-lhe o corpo, o sorriso pintava-lhe o rosto, o luar reflectia-se no verde líquido dos olhos... procurava um arremesso de paixão, uma réstia de sol, ou, um rastilho de (a)mar onde se pudesse perder... e, nessa procura incessante sonhava um coração igual ao seu, apaixonado, intenso, completo, dominado pelo mesmo luxuriante desejo do frenesim dos corpos, a mesma ânsia de beijos, a mesma vontade de toques e arrepios... teimava em não desistir, insistia em não aceitar compromissos. idealizava e perseguia o seu sonho, calada e quieta, sem mover um dedo ou uma pálpebra... desejando não acordar!

terça-feira, 6 de julho de 2010

...

sinto, cada gesto escondido,
cada raio de luar perdido,
cada palavra por escrever...

perco-me, para me encontrar
num grito calado no peito,
nas dores escondidas no tempo...
(e dos outros, perdida, nem sei...)

escrevendo, sonho...
o dia, o sol, o (a)mar
a verdade, a ternura, o ser
o gesto, o abraço, o querer

sonho(-te)... e aprendo
a vida que demora a chegar
...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

...

estranho o silêncio
quebrado
pelo ritmo das ondas
e o piar das gaivotas

estranho a areia escura
onde enterro os pés
que o sol já queimou

estranho e entranho
o riso das crianças
(dos outros)
os sorrisos nos rostos
desconhecidos
e as conversas de praia
descontraidas
despreconceituosas

alegre
solta
viva
em maré cheia de (a)mar
nestes dias que nascem
rosados e terminam rasgados
pelas cores dos fogos de artifício
que me seduzem e encantam
.
.
.
[e sempre, sempre, a pensar em ti!]

segunda-feira, 21 de junho de 2010

miminhos carinhosos

(photo by MotyPest on deviantART)


mimos e carinhos,
doces, suaves,
inquebráveis e luminosos
como as promessas de sol
nos dias primaveris
em que (te) aguardo

afagos
perfumados e musicais
que sinto como beijos
soprados na brisa
...


sorrisos de cristal



domingo, 30 de maio de 2010

re... começar (III)

Juntos na cidade das luzes, sob uma chuva torrencial pouco usual, pasmados com os relâmpagos e os trovões, sorriem e murmuram baboseiras, soltando gargalhadas ocasionais que acompanham na perfeição a troca de carícias atrevidas.
Decidiu leva-la a percorrer as principais artérias da cidade antes mesmo de lhe dar a conhecer a sua nova casa. Ao ritmo acelerado do seu coração, irrompendo na madrugada tempestuosa, surgem os detentores dos grandes nomes parisienses: Torre Eiffel, Louvre, os fantásticos Champs Elysee com o seu Arco do Triunfo a finalizar a avenida, Notre Dame, Sacre Coeur, Versailles... ela vai soltando notas de prazer e de espanto, espreitando por entre os limpa-pára-brisas apressados, ou entre as pesadas gotas de chuva que a molham abundantemente sempre que insiste em descer o vidro para sentir o cheiro do local. Apresenta-lhe o Sena, o apaixonante rio que corta a cidade em arco, promete-lhe uma viagem de barco num roteiro semi-turístico, dado que o seu conhecimento da cidade lhe permite oferecer mais, muito mais do que os lugares de visita obrigatória.
Olha-a encantado, não se cansa do seu sorriso ou do brilho dos seus olhos, não sendo uma mulher bonita, é decerto uma companheira alegre e divertida.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

...

perdoa-me as lágrimas infantis e trapalhonas, a ausência de savoir faire, a impertinência dos pedidos que te faço mentalmente para que voltes... perdoa-me se não sei viver sem ti, ou sem a tua presença - promessa de futuro. perdoa se em plena primavera insisto em ter frio e a cobrir-me de choros convulsivos e soluços escondidos... sabes, por vezes, criamos imagens, antecipamos cenários, imaginamos sentimentos, sonhamos, sonhamos, sonhamos e sem dar por isso vivemos algo que não existe... acabei a acreditar no que criei, abstraí-me da realidade certa de que o presente era apenas mais um de tantos obstáculos que a vida nos ensina a transpor. fui eu quem não regressou atempadamente, não querendo aceitar que a vida pode mais, que o tempo rege os dias e que querer não é poder... ou que o adeus seria inevitável.

partiste e não te censuro. sei que a vida é um rio imparável, um rio que corre beijando as margens, alimentando as árvores e as flores, acariciando as aves (que são os nossos sonhos), mas sempre, sempre avançando... às vezes mesmo galgando os sulcos mais profundos, outras vezes arrepiando caminhos, ocasionalmente existem momentos de calmaria mas não há barragem que nos sustenha eternamente, o destino é o mar... ou o amar, como um dia acreditei... tu partiste, e eu não queria...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

dias sem sol

"no escuro da noite o sol aguarda a sua vez"


(Photo on deviantART)


reflexo, o luto, emerge
em vários tons
negro-sombrio
negro-carvão
breu-estrelado
escuro-enluarado
preto-raiado de luz
preto-saudade
pardo-madrugada
num arco-íris de dor!

terça-feira, 25 de maio de 2010

(re)... começar (II)

As nossas mãos não se separam, como se fosse impensável passarem um segundo sem se sentirem, pousamos o olhar um no outro e eu vejo no teu rosto o reflexo do meu sorriso. Os nossos lábios tocam-se em mais um beijo inconsciente que se prolonga, enlaças-me pela cintura e sinto o teu corpo colado ao meu, envolvidos num abraço apertado testamos a intensidade do desejo latente.
A brisa marinha faz esvoaçar as cortinas leves espalhando o aroma do café e das torradas acabadas de fazer. Sentamo-nos frente a frente partilhando com vagar a primeira refeição do dia, comendo e conversando, revendo os planos que alinhavamos para hoje. Confesso que sinto alguma preguiça, e uma enorme vontade de me voltar a aninhar contigo na cama perfumada que ainda há pouco abandonamos. Sei, no entanto, que o interlúdio junto ao mar está a terminar, e que a cidade chama por nós. Irei finalmente conhecer as ruas onde te perdes em caminhadas domingueiras, as praças e recantos que conquistaram os teus olhares mais demorados, o rio que te seduz diariamente. Estou particularmente curiosa em descobrir os cheiros e os sabores locais, o encanto das pessoas, os espaços e as cores que habitualmente te rodeiam.
Esta aventura, mil vezes sonhada, parece ainda irreal, e nem a tua mão meiga e firme consegue fazer dissipar a minha ansiedade escondida.

domingo, 23 de maio de 2010

parte assim... cavaleiro andante



1967/2010

até que a dor se esgote


(Photo on deviantART)

gotas de fel
queimam
lábios mel
onde floresciam
sorrisos
transparentes

inacreditável
a pureza de quem
ama sem esperar
a fria e cruel
insensibilidade
dos que julgam
sem ouvir

insuportável
o cansaço
de quem deseja
corrigir o incorrigível

amontoam-se
nuvens sombrias,
esconde-se o sol,
e as lágrimas formam
carreiros que sulcam o rosto...

[imparável este choro compulsivo e involuntário]

quinta-feira, 20 de maio de 2010

urbanidades

podia falar-te
de sol e de sombra,
do azul mais-azul
ou do perfume das flores
que (re)descubro a cada dia

podia contar-te
os sonhos
e os desejos
que me inspiras,
ou descrever-te
a rota dos ponteiros
do relógio da avenida
que me olha
adivinhando-me
a pressa de chegar a ti.

podia ainda escrever
sobre o abanar de cauda
que conta os segundos
que não nos aproximam
mas marcam o compasso
do tango que não sei,
- mas quero...

podia soltar o cabelo rebelde
- que espera os teus dedos,
e me rodeia o rosto
dançando enquanto caminho
(des)preocupada e muda,
surda para o mundo,
atenta apenas aos teus olhos
furtivos e singulares.

podia...
mas (a)guardarei o beijo
que me virá despertar,
e depois sim...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

(re)... começar(I)

Quando por fim voltares, traz no olhar
a nesga de areal onde algum dia
te encontrei entre a espuma e a maresia,
passeando a surpresa de haver mar.


Torquato da Luz
.
(Photo on deviantART)
.
As janelas abertas permitem uma magnífica visão do local, lá fora o oceano acinzentado ruge imparável, o vento traz o cheiro da maresia e ouvem-se os gritos das gaivotas.
O sol brinca ao esconde-esconde com as nuvens, em breve, os vidros serão açoitados pelas gotas da chuva anunciada. De momento a luminosidade intensa fere a vista, o dia amanhece prenhe de promessas, e o brilho no seu olhar denuncia a feroz intenção de o viver em pleno.

azul cobalto




em quaresma de sombras
aguardo a redenção
das (in)verdades escondidas
em olhares transparentes

bravio o mar que separa
muances e promessas
que acolho porque quero

faço caminho, navegando
em águas turvas, agitadas
por vozes estridentes
de pássaros de arribação
- que não são gaivotas

contorno escolhos
e continuo, correndo riscos,
escolhendo... acertando, errando...




[o teu nome colado no lado esquerdo do peito]

segunda-feira, 17 de maio de 2010

backup plan (I)

(Photo by gusiia on deviantART)

comida japonesa seguida de comédia romântica e gelado de baunilha saboreado à beira-rio
enquanto o pôr-do-sol se reflecte na fachada dos edifícios da cidade [que não dorme]






the cherry on the top of the cake?
a great night sleep ;)

domingo, 16 de maio de 2010

entre o céu e a terra

 A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.

Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho
 
   
(Photo by sugarock99 on deviantART)

esconder num sorriso
a mágoa de não ser tua.
esquecer lágrimas
que não me pertencem.
sorrir e avançar,
afastar obstáculos,
rasgar caminhos,
percorrer novos trilhos.

- é esta a matéria que me compõe

sexta-feira, 14 de maio de 2010

palavras (I)

(foto de Sofia Azevedo)

palavras
que se cruzam
com os passos
ao sabor
dos laços
que se embaraçam
nas palavras
entrelaçadas
que nos calam
e confundem

palavras
que se escondem
dos actos
e dos factos
se a verdade
nua e crua
nos assusta
ou nos afasta

palavras
que nos aquecem
e iluminam,
quebrando
silêncios
de cristal
(des)complicando
os emaranhados
sentimentos
que me
p e r f u m a m
os dias

[palavras, que são, simplesmente, tudo... quando nada mais existe]

quinta-feira, 13 de maio de 2010

noites

(Photo by guyfromczech on deviantART)


despertar
ao som
do canto
dos pássaros
irrequietos
que vivem
nas árvores
sobranceiras
à janela
do meu quarto
- os mesmos 
que gulosos
comem
os figos
de agosto.

mas, que não me acordam porque tu chegas antes de qualquer presságio de primavera
qual fruto vermelho (em qualquer estação)...

e assim
os teus lábios
beijos
e desejos
me iluminam
nas noites
claras
de lua cheia

quarta-feira, 12 de maio de 2010

olhares

(Photo by sleena on deviantART)

densos 
os labirintos
que percorro
destemida...
trilhos solitários,
praias desertas,
lugares imaginários
p'ra onde parto
ao meu encontro
enquanto o sol se esconde

caminhando
contra o vento
fantasio
o sabor marinho
(pres)sentindo
a maresia
que trazes no olhar
onde um raio de sol
s o r r i
em promessas de mel

segunda-feira, 10 de maio de 2010

presente


(Photo by ollaaa on deviantART)

vens de mansinho cruzando céus azuis e mares de algodão. (des)envolto em palavras claras, chegas construindo castelos de açúcar que se (me) derretem na boca e se (me) colam no peito quais tatuagens de (a)mar. (en)cantador de sorrisos, que se enlaçam nas lembranças que atravessam oceanos carinhosamente embrulhadas em ninhos de solidão agasalhadas com beijinhos em esperas demoradas; delicadeza e exotismo feito arte de apaixonar...
assim tu,
música sem par,
estrela-do-meu-(a)mar
presente do meu sonhar

domingo, 9 de maio de 2010

(soul?!) mate


o vento embala
almas e sentimentos
dependentes de horas
e marés, agitando véus
levantando nevoeiros

vozes recicláveis
revelam a cor das palavras
férteis em sentidos
duplos e dúbios, múltiplos
e multiplicáveis por olhares
maldosos de homens
que nada temem

é bom ter sono e fome e frio;
temer, respeitar, honrar,
poupar, mulheres frágeis
de cabelos finos, aureola
em riste e máscara no rosto

impensável borrar o retrato
embaciado, desenhado sem rigor
mas com preci(o)sos traços
de irascível jogador de xadrez
que sacrifica torres, bispos,
cavalos e peões, mas salva
sempre, sempre a rainha!...
 
 

escrito algures em 2008

quinta-feira, 6 de maio de 2010

realidades...



nos olhos mar
esconde o medo
e afoga a solidão;
verde olhar imenso
triste reflexo do oceano
e das revoltas esmagadas

p e r m a n e c e r 
é uma ordem
que não cumpro impunemente;
guardar o grito
que lavra no peito,
calar a voz
das sombras, dos fantasmas,
dos sonhos por viver...
não me impedem de sentir
a ausência do sorriso
ou a musicalidade das lágrimas contidas...

mergulho no aroma a maresia
sorrio e deixo que o sal
me doure o rosto e os cabelos de vento e luz,
ofereço o melhor de mim
nesta gota de água pura
que cai nas minhas mãos pequenas
de mulher despida de ilusões...

[rebelde a sensualidade que teima em romper: arrebatamento e paixão confundem pudores que se escapam pelas janelas abertas sempre que o (a)mar me chama]

quarta-feira, 5 de maio de 2010

para além do amanhecer

(Photo by karinelips on deviantART)

história que não vivi,
saudade do que não foi?

sorriso presente,
sonho que desponta,
desejo que floresce!

amanhecer solarengo
nos dias que crescem?

lágrimas adiadas
ou apenas...
palavras que invento para apagar a solidão!?

terça-feira, 4 de maio de 2010

(in)quietude

Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei

Sophia de Mello Breyner Andresen



pensamentos sombrios
insónias e uma solidão sem fim
a dor de ficar sem não saber onde ir
janelas abertas sem que o ar se renove
paredes mudas e portas cerradas

sol que não queima
vento que não sopra
água que não pára de correr
nos olhos que são foz
de um rio que nasce em mim

(Photo by Kashimana on deviantART)


é a tristeza que se instala!

domingo, 2 de maio de 2010

dias e mães

escrevo num misto de raiva e dor. sentimentos confusos e dolorosamente avassaladores antecipadamente conhecidos, mas ainda assim, inevitáveis. avalanche de contradições a que voluntariamente(?!) me submeto neste dia da mãe que a cada minuto me recordam... e que se repetirá em oito dias!... dias da mãe que sou - sabendo-me mãe perdida e solitária, quantas vezes insatisfeita e irascível (particularmente em momentos como este)... dias da mãe que tenho - deprimida e só, infinitamente triste e desiludida com a vida (com a vida que tem, com a vida que teve, com a vida que vislumbra...)... dias da mãe adolescente que é a minha filha - apaixonada pelo seu rebento, mas contrafeita com as responsabilidades precoces e intransmissíveis que a sufocam... dias da mãe que desoladamente perdi há ainda tão poucos dias, mas que foi desde sempre o meu exemplo por excelência de maternidade assumida, educadora, companheira, conselheira, presença constante em cada curva do meu caminho, na alegria e na tristeza durante toda a sua vida... dias da mãe que sempre desejei ser (vontade que Deus cedo concretizou na minha vida) - sim, porque constituir família sempre foi o meu maior anseio, apesar da aparente incoerência dos sentimentos que acabo de expor... dias da mãe que não me deixam esquecer... o tanto que ficou por fazer, a minha insignificância, a minha incapacidade de ser mais e melhor... dias que demoram a passar!
"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua"

Sophia de Mello Breyner Andersen

(Photo by Chopen on deviantART)


vivia dias sem sol,
sentia o frio, a neve, a chuva...
sonhava o passeio a dois
e a mão na mão;
vertia o mar nos olhos
fixava a linha do horizonte
era onda e fugia no areal,
corria sem medo
e escrevia na volta da maré
palavras proibidas
repletas de sabores e aromas
para acalmar a saudade

ao anoitecer
colhia reflexos de sol e de (a)mar,
misturava as cores com carinho
e pintava sombras
de (e)ternos amores
i n t e r d i t o s,
s o l i t á r i o s,
p r o i b i d o s

água, sal,
recortes de espuma,
estrela-do-mar,
concha vazia,
cavalo marinho,
areia molhada

era... onda
e morria na praia a cada volta da maré!


sexta-feira, 30 de abril de 2010

maresia

"metade da minha alma é feita de maresia"

Sophia de Mello Breyner Andersen


(Photo by coisasdemiuda on deviantART)

é o teu sorriso que me ilumina
e o teu olhar que me transforma

em ti, o que é pequeno e vulgar
passa a grande e único,
a vida tantas vezes rotineira
toma contornos de aventura e de prazer.

pelos teus olhos vejo a beleza,
a certeza de que tudo é possível
de que todos os sonhos se podem e devem realizar.

por ti, cresce o desejo
e a coragem de acreditar que quero

o aroma a maresia,
os gritos das gaivotas,
o ritmo alegre das ondas
e a liberdade do vento

por ti, a paixão...
em ti... e no olhar que me transforma!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

quando me embalas

(Photo by iNeedChemicalX on deviantART)

quando me embalas
com as tuas palavras doces
sinto o calor dos teus braços,
o toque suave do teu corpo,
o teu dedo nos meus lábios.

sonho o desejo e as caricias,
invento a liberdade de te querer,
e tudo se desvanece à minha volta...

para lá do véu diáfano que criei
ficámos tu e eu:
num abraço que tende para infinito,
à distância de um cerrar de olhos imaginário

suave e denso,
és nevoeiro que me encanta,
brisa marinha
que me embala e enternece

quarta-feira, 28 de abril de 2010

portas entreabertas

(Photo on deviantART)

luminosidade ofuscante
reflectida em gestos
que ensaio só.
tentativas mescladas
de músicas e sabores:
maçã verde, canela e gengíbre,
aromas e cores
de enfeitar sorrisos
com que fantasio o calor,
os murmúrios sussurrados,
as mãos e os beijos,
o toque suave
das pontas dos dedos
- pele, arrepios e o rubor
crescente no rosto,
sentidos e sentimentos
indisciplinados.

mergulho na luz das velas
que me perfumam o caminho,
abro as janelas
e deixo as portas entreabertas
desejando sentir-te chegar
nesta primavera
que guardei para ti

terça-feira, 27 de abril de 2010

...

talvez seja de bom tom explicar que estou demasiado triste, demasiado só, demasiado pobre emocionalmente, para conseguir escrever alguma coisa que valha a pena ler.

mas... aprendi a querer bem a este espaço que me liga a algumas almas distantes, como se este lugar fosse uma espécie de ponte entre continentes, um contacto permanente com o melhor de mim... e aqueles que guardo no coração .

a vida prega-nos algumas partidas, e nestas alturas, a única alternativa é continuar... um passo de cada vez, caminhar, peregrinar, até... não sei até onde... já soube, ou já pensei saber... ainda assim, continuar é a resposta.

e como diz um amigo querido, a ver vamos... 
eu, estarei por aqui, colocarei alguns textos antigos em jeito de grito de vida, ou talvez apenas para me certificar de que ainda existo, de que não desisti, não ainda...

amo... os que estão, os que partiram.
amo... e não saberia viver de outra forma.

luto sentido...

(Photo by baspunk on deviantART)

o luto:
negrejar no trajar, atrato meu,
reflexo de sentimento magoado

luto,
pela memória, pelas lembranças,
pela tua presença constante no meu coração

o luto
de negro pesar,
escuridão, dor e tristeza

luto,
desafiando os pensamentos soturnos,
combatendo a sombra que me teima em cobrir

o luto
por amor
e pelo amor

luto
superando obstáculos, rompendo barreiras,
arrancando as raízes, semeando sorrisos

o luto
(con)sentido
no outro lado
do (a)mar...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

dias a fio

mergulhar na dor é muitas vezes solução obrigatória para acalmar a alma ferida e adormecer a mágoa insustentável da perda. escondo-me num recanto profundo deste (a)mar que trago no olhar, permito que as lágrimas me salguem o rosto, bebendo as recordações calorosas em tragos amargos de imensa saudade. o tempo passa devagar, quase parando enquanto choro convulsivamente permitindo-me assim um luto plangente e a catarse necessária à purificação do espírito enfraquecido.
(...)

gaivota de asa quebrada, sem força nem vontade de retomar a batalha da vida. fragilizada, perdida. só. afasto-me do mundo e não quero regressar.
(...)

tento emergir. procuro forças para me afastar do refugio em que me alheio do mundo, procuro dentro de mim, a raiz da raiz do amor generoso que trago comigo - que trago comigo dentro do meu coração! desse amor surgirá o impulso que me erguerá.
(...)

a luz traz consigo a lucidez e a dor aguda da saudade. o pesar mora no meu peito. não voltarei a abraçar-te ou a sentir os teus dedos nos meus cabelos. a tua voz meiga acompanha-me em sonhos de sol e céu azul, para me acordar com o lamento gravado na memória: - Vetinha, a avó está tão velhinha. A avó nunca mais te vê, amor!!!!
- Avó querida, eu não queria deixar-te! ainda sinto o teu abraço, os teus beijos constantes e os teus mimos doces. Avó, perdoa-me a ausência...
(...)

voltei ao abismo. ao lusco-fusco das águas turvas. sinto as correntes de vida e o assombro da dor sem refugio possível. regresso a mim. e dói, dói tanto...
(...)

sacodem-me as vozes dos que me rodeiam ansiosos por palavras meigas e gestos generosos... a vida continua. urge dar mais um passo em frente. procuro a árvore dos sorrisos que me guarda a janela, e inspiro-me no suave trinados dos passarinhos que me embalam - sabendo que só adormeço com o nascer do sol! obrigo-me a sorrir... - Bom dia avó!
(...)

domingo, 25 de abril de 2010

blow me a kiss

Escrever pode ser uma óptima desculpa para quem na vida não tem qualquer esperança. É uma maneira de preencher uma sombra e há momentos em que um beijo escrito vale por muitos.

Pedro Paixão, Nos teus braços morreríamos

(Photo by trishvandenberg on deviantART)


quinta-feira, 22 de abril de 2010

mãos de mimar

(Foto de Dora em olhares)


mãos
enrugadas,
cansadas,
ternas,
doces,
mágicas
como as palavras
de adormecer
meninas reguilas
de cabelos ao vento
e coração de mar;

caricias soltas
que se fixam
na memória
tecidas com enlevo
em intrincados enredos,
piques de sal
desenhados com lágrimas
que correm em fio

rendas sem bilros
espuma do amar

sábado, 17 de abril de 2010

i carry your heart with me

(Photo by Roux-S on deviantART)


 i carry your heart with me(i carry it in
my heart)i am never without it(anywhere
i go you go,my dear; and whatever is done
by only me is your doing,my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet)i want
no world(for beautiful you are my world,my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you


here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life;which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart


i carry your heart(i carry it in my heart)






ee cummings

Querida avó Munda

"A morte não é nada.

Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vós, continuarei sendo.
Dêem-me o nome que sempre me deram,
falem comigo como sempre fizeram.
Vós continueis a viver no mundo das criaturas,
eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que o meu nome seja pronunciado como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque estaria eu fora dos vossos pensamentos, agora que estou apenas fora das vossas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Quem aí ficou, siga em frente,
a vida continua,
linda e bela como sempre foi."
 
(Santo Agostinho)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

amizade, "a mais pura forma de amar"*


tens as cores vibrantes do dia que começa: rosa, laranja e azul céu; o branco das nuvens que contamos juntos e da neve fofa onde escorrego entre gargalhadas soltas e leves... nos lábios (nem sempre) pintados guardo o meu melhor sorriso para ti - sorrisos aos pares e vermelhos como as cerejas. vejo o verde dos meus olhos reflectido no mel do teu olhar enquanto partilhamos sonhos e desejos; e se as lágrimas não têm cor porque as bebes na fonte, as palavras desenham um arco-íris só pra mim quanto dizes o meu nome ou me afagas os cabelos, que entrelaço no dedo, enquanto te ouço embevecida...

quarta-feira, 14 de abril de 2010

enquanto chove

Talvez a ternura
crepite no pulso,
talvez o vento
súbito se levante,
talvez a palavra
atinja o seu cume,
talvez um segredo
chegue ainda a tempo
– e desperte o lume.


Eugénio de Andrade

(Photo by Kyokosphoto on deviantART)

o mundo fora do mundo...
num arremesso de cabelos soltos,
segredos inocentes plasmados em
sorrisos puros e olhares intensos,
terra e céu do chão que piso.

duplicidades desenhadas
em aguarelas marinhas
aonde o vento me arrasta
quando me sopras ao ouvido
gestos de paixão
que traduzo tendenciosa...


domingo, 11 de abril de 2010

janelas abertas para o (a)mar

Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados.


Eugénio de Andrade



(Photo by Sortvind on deviantART)



mergulho no aroma
da maresia que trazes contigo;
nos olhos verdes de te ver,
esconde-se o medo e a solidão,
ali a imensidão do oceano aviva a força
e a vontade de partir, permanecer
é uma ordem que não cumpro
sem dor, sabendo que
a voz me ensurdece
e a rouquidão me cega,
esquecendo que a envolvência dos corpos
não chega para matar a sede da alma

as sombras dos fantasmas
não me impedem de sofrer
a ausência do sonho
ou a musicalidade das lágrimas contidas...
sorrio e deixo que o sal
me doure o rosto e os cabelos
de vento e luz,
ofereço-te o melhor de mim
numa gota de água pura
que cai nas mãos pequenas
de mulher despida de ilusões,
despida de querer...


[rebelde a sensualidade que teima em romper: arrebatamento e paixão confundem pudores que se escapam pelas janelas abertas sempre que o (a)mar me chama - mas permaneço]

sábado, 10 de abril de 2010

jardim secreto


(Photo by Kyokosphoto on deviantART)

"É apenas o começo. Só depois dói,
e se lhe dá nome.
Às vezes chamam-lhe paixão. Que pode
acontecer da maneira mais simples:
umas gotas de chuva no cabelo.
Aproximas a mão, os dedos
desatam a arder inesperadamente,
recuas de medo. Aqueles cabelos,
as suas gotas de água são o começo
apenas o começo. Antes
do fim terás de pegar no fogo
e fazeres do inverno
a mais ardente das estações."


Eugénio de Andrade




(Photo by Kyokosphoto on deviantART)

recantos de encanto são os braços onde me abandono. pasmo e paixão os olhos verdes de te olhar, mesmo quando não estás, janelas no sonho em que flutuo entre lençóis amarrotados, beijos doces e ternos lábios, mãos estendidas, corpos nus, a tua pele na minha, arrepios e suor num bailado róseo (tom sobre tom) que começa quando me tocas sem ver a musicalidade dos aromas com que escreves o meu nome: rosmaninho, canela, baunilha e jasmim, jardim secreto na imaginação, porto de abrigo aonde me levas para não ver que o vento sussurra segredos e a chuva espalha lágrimas e dores... mas tu não.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

palavras que molham

«gosto das palavras que sabem a terra, a água, aos frutos de fogo do Verão, aos barcos no vento; gosto das palavras lisas como seixos, rugosas como o pão de centeio. Palavras que cheiram a feno e a poeira, a barro e a limão, a resina e a sol.»




Eugénio de Andrade



(Photo by sugarock99 on deviantART)

cansa-me a solidão,
a cama vazia
e a brancura do meu corpo.

maça-me
a ladainha estafada
contada pela almofada
molhada de lágrimas
que não tenho.

soltei os sonhos
gastos, amarrotados
pela sede e a saudade
- linho dos dias
em que teci
o pesado edredão
de penas e ilusões
que me protegem do frio
que já não há...

gela-me a dor,
a ausência consentida,
e o silêncio aterrador
quebrado aqui e ali
pelo ranger da madeira
sequiosa de sol e paixão.

delicados,
os pés descalços
em passos leves,
percorrem o corredor
nos dois sentidos,
sem nunca chegarem
a mim...

não me dês o que
não posso receber,
não prometas
o que nunca foi.

experimenta o sorriso,
talvez não vença barreiras,
mas aquece o dia!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

light my day

(Photo by WhiteBook on deviantART)

o cheiro da primavera inunda as ruas, os pássaros, que não sonham nem sabem que és tu quem me ilumina, invadem o dia com suaves trinados, sons que libertam sem direcção defina, mas que me fazem erguer o olhar ao céu sem nuvens e pensar naquele raio de sol matreiro que te incomoda nas tardes em que o trabalho se acumula na secretária - onde nem o laptop parece caber, e apenas o olhar terno de quem ama e a gargalhada solta e apaixonada fazem sentido.

terça-feira, 6 de abril de 2010

saudade


(Photo by ahermin on deviantART)

imagino a cidade, e o seu olhar brilhante perdido no oceano que se espraia até à linha do horizonte. visualizo a sua presença atenta e meiga, o sorriso constante de quem se sabe agradável, a elegância dos gestos, a conversa alternada com os risos... construo uma imagem mental quase palpável e dou por mim a sentir o cheiro, a ouvir os sons, e a partilhar as gargalhadas... sonho o rio, o trânsito caótico, a língua destravada e o café na esplanada da praia; desenho as ondas e a estrada à beira mar que atravesso com passos seguros no piscar de olhos em que transponho mares e pontes, voando no tempo e aterrando nos seus braços.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

splashing away

ergue o rosto queimado de sol e de sal, e mantem o passo. sabe ser detentora de um coração muito especial, uma espécie de caixinha de vidro frágil, transparente e multifacetado, que quando enamorado oscila entre a luz e o mar refletindo olhares encantados que misturam sorrisos e salpicos, sempre cristalinos, sempre puros, silenciosos e imperceptiveis ao comum dos mortais, mas não a ele. ele prova a cada dia ser um valoroso parceiro de aventura, um verdadeiro cavaleiro andante que a impulsiona a caminhar forte e segura. enquanto caminha, a vida acontece, os rios correm para a foz que lhes dá abrigo, e os mares crescem embalando melodias e paixões. hoje sabe que a história de contornos mágicos e brilhantes será sua para sempre e que a linha do horizonte terá eternamente a beleza dos tesouros que esconde...

quarta-feira, 31 de março de 2010

presente em tons pastel

(Photo by valakiria on deviantArt)

embrulho de primavera
orquidea champanhe
laço de chifon
braçado de tulipas

porcelana fina
pintada à mão

assim os sentimentos
e t e r n o s
(in)quebráveis


terça-feira, 30 de março de 2010

dias de chocolate...

"Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates."

Fernando Pessoa, in Tabacaria

(Photo by armene on deviantART)


o inverno está à porta, o frio chegou para ficar, a manta de quadrados aguarda por mim dobrada num canto do sofá macio. na mesa repousam os livros e os dvd's comprados no fim de semana. dirijo-me à cozinha e disfarço a solidão com uma velha receita culinária. derreto o chocolate em banho-maria, e delicio-me com o aroma que rapidamente se espalha no ar, junto a manteiga e as amêndoas na taça de madeira sem idade que guardo carinhosamente, a colher de pau vai e vem num ritmo calmo e constante, certifico-me que a massa tem a consistência que desejo e aguardo que arrefeça. aproveito para recortar pequenos quadrados de papel vegetal; poderia ter escolhido papel colorido, mas neste agrada-me o toque e o barulhinho quando o amarroto. levo a colher à boca para provar, sempre que o faço retrocedo no tempo; volto a ser a menina de saia de pregas e fita de seda no cabelo rebelde, aquela que roda, roda, roda... até cair no chão, e acredito que neste gesto está o segredo dos meus beijos. (a)provada a massa, moldo os bombons, passo-os pelo açúcar e coloco-os no centro dos quadradinhos de papel que recortei. embrulho-os um a um delicadamente, antecipando a alegria de os oferecer. regresso à sala com a travessa de bombons que coloco no centro da mesa, longe das patas do "meu" rafeiro, mas à vista de todos assim que entram. sento-me no sofá a bebericar a minha cidra quente, pego num livro que não leio; mentalmente revejo invernos distantes, repletos de beijos de chocolate, de miúdos e de graúdos que hoje vivem na minha cabecita de vento e de saudade. Adormeço.
 
 
 
 
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sexta-feira, 26 de março de 2010

a splash away (VI)

sobrepõe-se o dever.
nestes momentos insiste em perguntar-se se resistirão os elos de afeição que os unem. dá-se à tristeza e à solidão numa espécie de punição auto-induzida, temerosa e imprudente… vã e efémera a fuga ensaiada ao sonho e ao sorriso… ele é sol e luar, alegria inopinada e sentir em botão, é música que a inspira a novos passos numa dança por inventar, imparável e rodopiante!

quinta-feira, 25 de março de 2010

a splash away (V)

trocam palavras como beijos, palavras puras que bebem sedentos de calor e de paixão. secretamente amantes dos passeios solitários (aqueles que fazem na imaginação), caminham lado a lado, num passo certo marcado pelo alegre abanar de cauda do "terrier" que não a abandona. procurando-se e acariciando-se, descobrem-se refúgio dos sentidos, do fogo da noite e dos tons sépia do amanhecer. com gestos de prazer, constroem ninhos perfumados em telhados de cristal. pousos transparentes, iluminados pelos reflexos prateados duma lua sempre cheia, onde comungam a presença do outro em fragmentos de silêncio... e assim abraçados, mergulham na nostalgia sorridente que lhes dá abrigo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

divagações (nocturnas)

acredito que o poder sobre uma relação pertença a quem menos se envolve, àquele que a qualquer momento possa simplesmente desligar-se do outro sem grandes dúvidas ou contemplações, no entanto, pergunto-me, ter o poder sobre as nossas ligações afectivas, significará ser feliz?! ou, será essa reserva, esse cuidado em manter o controle, o primeiro passo para o desprendimento e a solidão?!

quando nos deparamos com alguém de "coração destroçado" dificilmente concluímos ter sido "o amor" caminho para a felicidade, no entanto, reconheço que os momentos em que me senti mais alegre, mais viva, mais feliz, foram momentos de amor, de entrega apaixonada a alguém - ou a algum ideal, momentos de elevada fragilidade, é bem verdade, e ainda assim, de audaciosa doação. no entanto, deverá a efemeridade desses momentos incitar-nos a abrir mão dessa nossa capacidade de "transcendência"? ou, as vezes em que depositamos as nossas esperanças, os nossos melhores sentimentos, imerecidamente, nas mãos de alguém que se mostra indigno/a, levar-nos a fechar o nosso coração aos outros?

existirá uma margem de segurança passivel de ser aplicada...?! porque não nos proporciona a natureza humana um qualquer "air-bag" emocional capaz de proteger sem nos tirar do caminho certo...?!

terça-feira, 23 de março de 2010

a splash away (IV)

fascina-a a embriaguez que este sentimento lhe provoca. sente-se dentro e fora do mundo, observa a vida através de um caleidoscópio multicolorido e passeia-se num universo paralelo - só seu, onde a paixão se sobrepõe à realidade. evitando acordar para o real (ou para a distância), gere as dicotomias (dever/querer) com a maior disciplina que lhe é possível, fazendo de tudo para que o êxtase não se perca. enquanto isso, a sua mente perde-se em ilações, mensagens subliminares de um coração apaixonado. ampliam-se os sons, agudizam-se os sentidos, valorizam-se as cores e os sabores, cozinha-se a paixão em lume brando...

segunda-feira, 22 de março de 2010

a splash away (III)

ambos nasceram junto à praia. em praias diferentes é bem certo, com diferentes vivências, cresceram em enquadramentos diversos. as suas histórias de vida teram poucos pontos comuns, mas sente que poderiam ter sido amigos de infância. consegue imaginá-los compinchas de cabelo queimado pelo mar salgado, ele na água, a romper as ondas, ela na areia molhada a sentir o sol na pele e o vento no rosto. terá sido o marulhar que os juntou? essa música de fundo que a acompanha na imaginação, aquele movimento constante de ondas que morrem para de novo se erguer? porque é esse o ritmo que sente no peito aliado ao bater do seu próprio coração... hoje, quando falam do mar, são envolvidos pela nostalgia das suas memórias mais ternas, multiplicidades de sentires que as falésias eternizam e neles encontram fio condutor para diálogos apaixonados. descalços, a enterrar os pés prazeirosamente na areia molhada, jeans arregaçados, olhar preso na linha do horizonte, a oceanos de distância, vivem a mesma sensação de liberdade, o mesmo voar sem asas, o mesmo coração de mar... gaivotas perdidas à procura de... sabe Deus o quê...