registos, leituras, ecos, palavras, imagens, gestos, passos de dança e ensaios de voo...
aromas e sabores que (a)guardo carinhosamente





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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

(re)inventando o sol

"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua"

Sophia de Mello Breyner Andersen


(Fotografia de António Rodrigues)

vivia dias sem luz,
sentia o frio, a neve, a chuva...
sonhava o passeio a dois
e a mão na mão;
vertia o mar nos olhos
enquanto fixava a linha do horizonte
.
era onda e fugia no areal,
corria a medo escrevendo na volta da maré
palavras proibidas
repletas de sabores e aromas
para acalmar a saudade

ao anoitecer
colhia reflexos de sol e de (a)mar,
misturava as cores com carinho
e pintava sombras
de (e)ternos amores
i n t e r d i t o s,
s o l i t á r i o s,
p r o i b i d o s

água, sal,
recortes de espuma,
estrela-do-mar,
concha vazia,
cavalo marinho,
areia molhada

era onda e morria na praia
r e n a s c e n d o 
em cada volta da maré...!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

maresia

"metade da minha alma é feita de maresia"

Sophia de Mello Breyner Andersen


(Photo by coisasdemiuda on deviantART)

é o teu sorriso que me ilumina
e o teu olhar que me transforma

em ti, o que é pequeno e vulgar
passa a grande e único,
a vida tantas vezes rotineira
toma contornos de aventura e de prazer.

pelos teus olhos vejo a beleza,
a certeza de que tudo é possível
de que todos os sonhos se podem e devem realizar.

por ti, cresce o desejo
e a coragem de acreditar que quero

o aroma a maresia,
os gritos das gaivotas,
o ritmo alegre das ondas
e a liberdade do vento

por ti, a paixão...
em ti... e no olhar que me transforma!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

quando me embalas

(Photo by iNeedChemicalX on deviantART)

quando me embalas
com as tuas palavras doces
sinto o calor dos teus braços,
o toque suave do teu corpo,
o teu dedo nos meus lábios.

sonho o desejo e as caricias,
invento a liberdade de te querer,
e tudo se desvanece à minha volta...

para lá do véu diáfano que criei
ficámos tu e eu:
num abraço que tende para infinito,
à distância de um cerrar de olhos imaginário

suave e denso,
és nevoeiro que me encanta,
brisa marinha
que me embala e enternece