registos, leituras, ecos, palavras, imagens, gestos, passos de dança e ensaios de voo...
aromas e sabores que (a)guardo carinhosamente





quinta-feira, 25 de março de 2010

a splash away (V)

trocam palavras como beijos, palavras puras que bebem sedentos de calor e de paixão. secretamente amantes dos passeios solitários (aqueles que fazem na imaginação), caminham lado a lado, num passo certo marcado pelo alegre abanar de cauda do "terrier" que não a abandona. procurando-se e acariciando-se, descobrem-se refúgio dos sentidos, do fogo da noite e dos tons sépia do amanhecer. com gestos de prazer, constroem ninhos perfumados em telhados de cristal. pousos transparentes, iluminados pelos reflexos prateados duma lua sempre cheia, onde comungam a presença do outro em fragmentos de silêncio... e assim abraçados, mergulham na nostalgia sorridente que lhes dá abrigo.

quarta-feira, 24 de março de 2010

divagações (nocturnas)

acredito que o poder sobre uma relação pertença a quem menos se envolve, àquele que a qualquer momento possa simplesmente desligar-se do outro sem grandes dúvidas ou contemplações, no entanto, pergunto-me, ter o poder sobre as nossas ligações afectivas, significará ser feliz?! ou, será essa reserva, esse cuidado em manter o controle, o primeiro passo para o desprendimento e a solidão?!

quando nos deparamos com alguém de "coração destroçado" dificilmente concluímos ter sido "o amor" caminho para a felicidade, no entanto, reconheço que os momentos em que me senti mais alegre, mais viva, mais feliz, foram momentos de amor, de entrega apaixonada a alguém - ou a algum ideal, momentos de elevada fragilidade, é bem verdade, e ainda assim, de audaciosa doação. no entanto, deverá a efemeridade desses momentos incitar-nos a abrir mão dessa nossa capacidade de "transcendência"? ou, as vezes em que depositamos as nossas esperanças, os nossos melhores sentimentos, imerecidamente, nas mãos de alguém que se mostra indigno/a, levar-nos a fechar o nosso coração aos outros?

existirá uma margem de segurança passivel de ser aplicada...?! porque não nos proporciona a natureza humana um qualquer "air-bag" emocional capaz de proteger sem nos tirar do caminho certo...?!

terça-feira, 23 de março de 2010

a splash away (IV)

fascina-a a embriaguez que este sentimento lhe provoca. sente-se dentro e fora do mundo, observa a vida através de um caleidoscópio multicolorido e passeia-se num universo paralelo - só seu, onde a paixão se sobrepõe à realidade. evitando acordar para o real (ou para a distância), gere as dicotomias (dever/querer) com a maior disciplina que lhe é possível, fazendo de tudo para que o êxtase não se perca. enquanto isso, a sua mente perde-se em ilações, mensagens subliminares de um coração apaixonado. ampliam-se os sons, agudizam-se os sentidos, valorizam-se as cores e os sabores, cozinha-se a paixão em lume brando...

segunda-feira, 22 de março de 2010

a splash away (III)

ambos nasceram junto à praia. em praias diferentes é bem certo, com diferentes vivências, cresceram em enquadramentos diversos. as suas histórias de vida teram poucos pontos comuns, mas sente que poderiam ter sido amigos de infância. consegue imaginá-los compinchas de cabelo queimado pelo mar salgado, ele na água, a romper as ondas, ela na areia molhada a sentir o sol na pele e o vento no rosto. terá sido o marulhar que os juntou? essa música de fundo que a acompanha na imaginação, aquele movimento constante de ondas que morrem para de novo se erguer? porque é esse o ritmo que sente no peito aliado ao bater do seu próprio coração... hoje, quando falam do mar, são envolvidos pela nostalgia das suas memórias mais ternas, multiplicidades de sentires que as falésias eternizam e neles encontram fio condutor para diálogos apaixonados. descalços, a enterrar os pés prazeirosamente na areia molhada, jeans arregaçados, olhar preso na linha do horizonte, a oceanos de distância, vivem a mesma sensação de liberdade, o mesmo voar sem asas, o mesmo coração de mar... gaivotas perdidas à procura de... sabe Deus o quê...

domingo, 21 de março de 2010

a splash away (II)

espantosamente, é assim que o sente: a sua ilha perdida, o seu lugar mágico. o conhecimento que partilham um do outro, foi alicerçado nas suas buscas interiores e omite vários lugares comuns. não começaram o seu relacionamento tentando reunir sobre o outro a informação que consideraria básica noutras circunstâncias, e, talvez por isso mesmo a empatia se tenha instalado. foram preenchendo o tempo que passavam juntos com gargalhadas sonoras e beijos demorados quantas vezes entrecortados por relatos avulso, quase inesperados, de acontecimentos pontuais ou anseios profundos. assim, foram construindo o seu relacionamento com uma naturalidade que ainda hoje a deixa surpresa: sem pressões, sem projectos, isentos de “timings” ou obrigatoriedades... depressa percebe que os momentos que vivem juntos são os melhores do seu dia. já nem se surpreende quando dá por si, reservando imagens mentais, pensamentos ou ideias para posteriormente desenvolver a dois. o seu encontro parece vir reforçar a máxima estafada: "quando menos esperares tropeças no que procuras" - surpresas que a vida nos reserva quando menos esperamos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

a splash away (I)

apercebe-se das lágrimas mornas que lhe correm no rosto, e sorri. permitir-se a amar, deu-lhe energia para forçar o recomeço. enamorada pelas brumas que o envolvem, pressente a sua presença em cada suspiro inesperado que rapidamente transforma em motivo de alegria. e a cada sorriso, o encanto aumenta acrescentando paixão aos dias sem sol, impedindo que as nuvens lhe escureçam o olhar brilhante que cintila ao ritmo das melodias partilhadas nos dias e noites que se entrecruzam em ímpar harmonia de sentires. e porque o seu amor existe já não lhe falta calor... pelo contrário, corpo e alma clamam pelos mistérios da sua "ilha de Avalon"...

segunda-feira, 8 de março de 2010

coração... [de chocolate]

(photo by sortvind on deviantART)

o meu amor,
tem alma de chocolate
e uma braçada de beijos
em lábios escarlate

o meu amor,
abraça a tristeza
oferece-me uma flor
vive na incerteza

o meu amor,
condena-me à paixão
derrete-se-me na boca
rouba-me o coração

o meu amor,
é o melhor de mim
pele "açúcar-com-canela"
cheiro a jasmim

quinta-feira, 4 de março de 2010

palavras perdidas e confusas

(photo on deviantART)
ser...
o raio de sol que
te desperta, nas manhãs
em que sonhas e me
imaginas nos lençóis ainda
quentes onde o cheiro
e o desejo te confundem,

estar...
a teu lado quando
o sorriso explode
no olhar que ilumina
o dia e eu suspendo
a respiração para que
o ar não me falte e
a paixão não se acabe...

e, quando
a noite chegar,
ser... o casaco que
te protege do frio das
horas de solidão,
enquanto as estrelas
murmuram palavras
perdidas e confusas
que pretendem dizer
(apenas):
gosto de ti!

segunda-feira, 1 de março de 2010

celebrar a vida

(Photo by Roux on deviantART)
contando
o tempo que voa
em versos
que eternizam o (a)mar
contando
sorrisos decididos
decerto iluminados pelo luar
contando
beijos e desejos
em velas ainda por soprar...
conto e canto
a tua presença na minha vida
a cor, a luz e a força para sonhar,
os beijos, os tempos e as marés,
a vida que importa celebrar

sábado, 27 de fevereiro de 2010

impudor

(Photo by Puncie on deviantART)

impudores...
ou retratos sépia.

pele marfim,
vestido de luar
frutos vermelhos
mãos transparentes
e dedos vagabundos
que percorrem o ventre
anunciando a noite,
celebrando o desejo.

pintar a luxuria
em telas sombrias,
mãos branca,
pernas trementes,
paixão ardente,
eu... a (a)guardar os teus passos!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

acorda-me...

(Photo by MustafaDedeogLu on deviantART)

num jogo de luz e sombra,
ousar e timidamente recuar;
rosto enrubescido,
o corpo queima
ao toque das pontas dos teus dedos

dar, tomar, acariciar, abraçar, oferecer, revelar,
sentir, cheirar, saborear, contemplar.

obscena a natureza exclusiva do amor,
crua a atracção,
intensa e impetuosa
a voz que me acorda os sentidos
e me transforma em escrava de mim mesma.

quero-te!
apetece-me o sabor marinho
o cheiro a (a)mar
e o sorriso mel
das tuas palavras sempre doces

acorda-me...
(para que não hiberne aninhada neste sonho de ser tua)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

pedra e cal

(Photo by Haifona on deviantART)
o chão que foge
ou a mão que se estende,
sombras e labirintos num mundo virado do avesso!

... mas quando outros voltam as costas,
há quem reme contra a maré
e se faça presente.

em dias de tempestade
quando o vento uiva e assusta
quando furiosamente o céu parece querer desabar sobre nós
há quem se faça: "porto de abrigo",
recanto de paz,
acolhimento sereno,
ombro amigo,
bálsamo e alento,
palavra que conforta,
música que embala e aquece,
gratuitidade,
sorriso e gargalhada!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

sorrisos...


(Photo by Stortvind on deviantART)

o vento onde te invento
o nevoeiro que me abraça
a maresia que perfuma

este querer alucinante
que queima, prende, solta
impele a voar

este silêncio barulhento
onde palavras se atropelam
na tentativa de se transformarem
em gestos, afagos, murmúrios,
odores e paladares

este tempo fora do tempo
este amar fora do amar
- desusado, invulgar,
envolvente e intenso

tudo isso... somos nós

sorrisos com que
alegramos os dias
que nascem frios

domingo, 14 de fevereiro de 2010

le plus beau du quartier

(Photo ValentinaKallias on deviantART)

navego contigo
em caricias que nos fogem
da ponta dos dedos
para se eternizarem
nas palavras-gestos
que nos acariciam
a pele e a alma.

teu é o sabor, o cheiro,
e as impressões digitais
que marcam no meu corpo
o teu nome, simples
como o desejo
puro como o sorriso.

querer absoluto,
livre e terno,
que se solta em cada palavra
e aumenta a cada manhã
sempre que me impedes de hibernar,
e me fazes sonhar mais alto,
sentindo mais forte
o prazer de mergulhar
c o n t i g o
nas águas revoltas
da sedução...

tatuagens na alma
que se fazem ao som
da voz rouca da cantora
que espalha francês
como mel
na pele que saboreias
branca e sem maquilhagem.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

valentine...

(Photo by Sortvind on deviantART)

lareira crepitante,
lento entoar
de notas de paixão,
melodia aquecida
pelas promessas escaldantes

ardentes os olhos
que reflectem as chamas
multiplicando o calor

em brasa, os lábios
sedentos de palavras
por inventar,
encontram nos seios fartos
a fonte que acalma
a fome de sentir

enlaça-me com as pernas,
prende-me nos teus braços,
e ficarei!
(ainda que o chão me falte,
ficarei! )