registos, leituras, ecos, palavras, imagens, gestos, passos de dança e ensaios de voo...
aromas e sabores que (a)guardo carinhosamente





segunda-feira, 17 de maio de 2010

backup plan (I)

(Photo by gusiia on deviantART)

comida japonesa seguida de comédia romântica e gelado de baunilha saboreado à beira-rio
enquanto o pôr-do-sol se reflecte na fachada dos edifícios da cidade [que não dorme]






the cherry on the top of the cake?
a great night sleep ;)

domingo, 16 de maio de 2010

entre o céu e a terra

 A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.

Antoine de Saint-Exupéry, in O Principezinho
 
   
(Photo by sugarock99 on deviantART)

esconder num sorriso
a mágoa de não ser tua.
esquecer lágrimas
que não me pertencem.
sorrir e avançar,
afastar obstáculos,
rasgar caminhos,
percorrer novos trilhos.

- é esta a matéria que me compõe

sexta-feira, 14 de maio de 2010

palavras (I)

(foto de Sofia Azevedo)

palavras
que se cruzam
com os passos
ao sabor
dos laços
que se embaraçam
nas palavras
entrelaçadas
que nos calam
e confundem

palavras
que se escondem
dos actos
e dos factos
se a verdade
nua e crua
nos assusta
ou nos afasta

palavras
que nos aquecem
e iluminam,
quebrando
silêncios
de cristal
(des)complicando
os emaranhados
sentimentos
que me
p e r f u m a m
os dias

[palavras, que são, simplesmente, tudo... quando nada mais existe]

quinta-feira, 13 de maio de 2010

noites

(Photo by guyfromczech on deviantART)


despertar
ao som
do canto
dos pássaros
irrequietos
que vivem
nas árvores
sobranceiras
à janela
do meu quarto
- os mesmos 
que gulosos
comem
os figos
de agosto.

mas, que não me acordam porque tu chegas antes de qualquer presságio de primavera
qual fruto vermelho (em qualquer estação)...

e assim
os teus lábios
beijos
e desejos
me iluminam
nas noites
claras
de lua cheia

quarta-feira, 12 de maio de 2010

olhares

(Photo by sleena on deviantART)

densos 
os labirintos
que percorro
destemida...
trilhos solitários,
praias desertas,
lugares imaginários
p'ra onde parto
ao meu encontro
enquanto o sol se esconde

caminhando
contra o vento
fantasio
o sabor marinho
(pres)sentindo
a maresia
que trazes no olhar
onde um raio de sol
s o r r i
em promessas de mel

segunda-feira, 10 de maio de 2010

presente


(Photo by ollaaa on deviantART)

vens de mansinho cruzando céus azuis e mares de algodão. (des)envolto em palavras claras, chegas construindo castelos de açúcar que se (me) derretem na boca e se (me) colam no peito quais tatuagens de (a)mar. (en)cantador de sorrisos, que se enlaçam nas lembranças que atravessam oceanos carinhosamente embrulhadas em ninhos de solidão agasalhadas com beijinhos em esperas demoradas; delicadeza e exotismo feito arte de apaixonar...
assim tu,
música sem par,
estrela-do-meu-(a)mar
presente do meu sonhar

domingo, 9 de maio de 2010

(soul?!) mate


o vento embala
almas e sentimentos
dependentes de horas
e marés, agitando véus
levantando nevoeiros

vozes recicláveis
revelam a cor das palavras
férteis em sentidos
duplos e dúbios, múltiplos
e multiplicáveis por olhares
maldosos de homens
que nada temem

é bom ter sono e fome e frio;
temer, respeitar, honrar,
poupar, mulheres frágeis
de cabelos finos, aureola
em riste e máscara no rosto

impensável borrar o retrato
embaciado, desenhado sem rigor
mas com preci(o)sos traços
de irascível jogador de xadrez
que sacrifica torres, bispos,
cavalos e peões, mas salva
sempre, sempre a rainha!...
 
 

escrito algures em 2008

quinta-feira, 6 de maio de 2010

realidades...



nos olhos mar
esconde o medo
e afoga a solidão;
verde olhar imenso
triste reflexo do oceano
e das revoltas esmagadas

p e r m a n e c e r 
é uma ordem
que não cumpro impunemente;
guardar o grito
que lavra no peito,
calar a voz
das sombras, dos fantasmas,
dos sonhos por viver...
não me impedem de sentir
a ausência do sorriso
ou a musicalidade das lágrimas contidas...

mergulho no aroma a maresia
sorrio e deixo que o sal
me doure o rosto e os cabelos de vento e luz,
ofereço o melhor de mim
nesta gota de água pura
que cai nas minhas mãos pequenas
de mulher despida de ilusões...

[rebelde a sensualidade que teima em romper: arrebatamento e paixão confundem pudores que se escapam pelas janelas abertas sempre que o (a)mar me chama]

quarta-feira, 5 de maio de 2010

para além do amanhecer

(Photo by karinelips on deviantART)

história que não vivi,
saudade do que não foi?

sorriso presente,
sonho que desponta,
desejo que floresce!

amanhecer solarengo
nos dias que crescem?

lágrimas adiadas
ou apenas...
palavras que invento para apagar a solidão!?

terça-feira, 4 de maio de 2010

(in)quietude

Em nome da tua ausência
Construí com loucura uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei

Sophia de Mello Breyner Andresen



pensamentos sombrios
insónias e uma solidão sem fim
a dor de ficar sem não saber onde ir
janelas abertas sem que o ar se renove
paredes mudas e portas cerradas

sol que não queima
vento que não sopra
água que não pára de correr
nos olhos que são foz
de um rio que nasce em mim

(Photo by Kashimana on deviantART)


é a tristeza que se instala!

domingo, 2 de maio de 2010

dias e mães

escrevo num misto de raiva e dor. sentimentos confusos e dolorosamente avassaladores antecipadamente conhecidos, mas ainda assim, inevitáveis. avalanche de contradições a que voluntariamente(?!) me submeto neste dia da mãe que a cada minuto me recordam... e que se repetirá em oito dias!... dias da mãe que sou - sabendo-me mãe perdida e solitária, quantas vezes insatisfeita e irascível (particularmente em momentos como este)... dias da mãe que tenho - deprimida e só, infinitamente triste e desiludida com a vida (com a vida que tem, com a vida que teve, com a vida que vislumbra...)... dias da mãe adolescente que é a minha filha - apaixonada pelo seu rebento, mas contrafeita com as responsabilidades precoces e intransmissíveis que a sufocam... dias da mãe que desoladamente perdi há ainda tão poucos dias, mas que foi desde sempre o meu exemplo por excelência de maternidade assumida, educadora, companheira, conselheira, presença constante em cada curva do meu caminho, na alegria e na tristeza durante toda a sua vida... dias da mãe que sempre desejei ser (vontade que Deus cedo concretizou na minha vida) - sim, porque constituir família sempre foi o meu maior anseio, apesar da aparente incoerência dos sentimentos que acabo de expor... dias da mãe que não me deixam esquecer... o tanto que ficou por fazer, a minha insignificância, a minha incapacidade de ser mais e melhor... dias que demoram a passar!
"De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua"

Sophia de Mello Breyner Andersen

(Photo by Chopen on deviantART)


vivia dias sem sol,
sentia o frio, a neve, a chuva...
sonhava o passeio a dois
e a mão na mão;
vertia o mar nos olhos
fixava a linha do horizonte
era onda e fugia no areal,
corria sem medo
e escrevia na volta da maré
palavras proibidas
repletas de sabores e aromas
para acalmar a saudade

ao anoitecer
colhia reflexos de sol e de (a)mar,
misturava as cores com carinho
e pintava sombras
de (e)ternos amores
i n t e r d i t o s,
s o l i t á r i o s,
p r o i b i d o s

água, sal,
recortes de espuma,
estrela-do-mar,
concha vazia,
cavalo marinho,
areia molhada

era... onda
e morria na praia a cada volta da maré!


sexta-feira, 30 de abril de 2010

maresia

"metade da minha alma é feita de maresia"

Sophia de Mello Breyner Andersen


(Photo by coisasdemiuda on deviantART)

é o teu sorriso que me ilumina
e o teu olhar que me transforma

em ti, o que é pequeno e vulgar
passa a grande e único,
a vida tantas vezes rotineira
toma contornos de aventura e de prazer.

pelos teus olhos vejo a beleza,
a certeza de que tudo é possível
de que todos os sonhos se podem e devem realizar.

por ti, cresce o desejo
e a coragem de acreditar que quero

o aroma a maresia,
os gritos das gaivotas,
o ritmo alegre das ondas
e a liberdade do vento

por ti, a paixão...
em ti... e no olhar que me transforma!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

quando me embalas

(Photo by iNeedChemicalX on deviantART)

quando me embalas
com as tuas palavras doces
sinto o calor dos teus braços,
o toque suave do teu corpo,
o teu dedo nos meus lábios.

sonho o desejo e as caricias,
invento a liberdade de te querer,
e tudo se desvanece à minha volta...

para lá do véu diáfano que criei
ficámos tu e eu:
num abraço que tende para infinito,
à distância de um cerrar de olhos imaginário

suave e denso,
és nevoeiro que me encanta,
brisa marinha
que me embala e enternece

quarta-feira, 28 de abril de 2010

portas entreabertas

(Photo on deviantART)

luminosidade ofuscante
reflectida em gestos
que ensaio só.
tentativas mescladas
de músicas e sabores:
maçã verde, canela e gengíbre,
aromas e cores
de enfeitar sorrisos
com que fantasio o calor,
os murmúrios sussurrados,
as mãos e os beijos,
o toque suave
das pontas dos dedos
- pele, arrepios e o rubor
crescente no rosto,
sentidos e sentimentos
indisciplinados.

mergulho na luz das velas
que me perfumam o caminho,
abro as janelas
e deixo as portas entreabertas
desejando sentir-te chegar
nesta primavera
que guardei para ti